Carta da Margarida aos pais

Carta da Margarida aos pais

Caros pais,

Fartos de ouvir falar de Covid, de confinamento e desconfinamento?
Vamos então dar dois minutos de atenção a um outro tema – a criatividade.

É normal que num ano como este esteja a investir mais nas tarefas do dia-a-dia, no que tem que ser feito, na resposta ao imediato. Sugiro que dedique algumas horas à criatividade do seu filho. Com a sensibilidade que caracteriza os pais, com o conhecimento que vai tendo sobre o seu pequenino, veja que materiais e atividades pode realizar para dar asas à criatividade do seu filho.
Algumas dicas antes de decidir por onde caminhar:

  • é preciso deixar a criança pensar fora da caixa
  • não trace um plano de certos e errados para o que a criança vai fazer
  • decida fazerem algo onde a escolha é ampla, o ambiente tranquilo e a criança pode arriscar sem colocar em causa a sua segurança
  • deixe claro que você não tem expectativas do que ele/ela devem alcançar, não espera um produto final, espera um caminho feito a dois
  • desligue TV, telemóveis e preocupações e entregue-se ao momento
  • disponha de pelo menos 30 min (não precisa de uma tarde inteira se não a tiver)
  • não valem desculpas como: “que engraçada a ideia! Agora que está tudo fechado é que esta se lembra disto”
  • pense o que é para si ser criativo, que momentos teve em criança em que lhe deram essa oportunidade 
  • tome decisões relativas ao momento em que tal vai acontecer, que local escolher, que materiais propor e faça a experiência. Conforme os resultados vá fazendo variações ao tema, mantendo a oportunidade regular de o seu filho ser muito criativo

Se ainda está a pensar no que fazer deixo-lhe aqui algumas sugestões:

  • imagine que ele gosta de cozinhar – então hoje na cozinha não há receitas, nem certos e errados, apenas regras de segurança e quantidades máximas de produtos a serem usados (para evitar o desperdício alimentar)
  • imagine que ele gosta de desenhar – então hoje vamos desenhar ao som da música, mas os materiais vão ser outros, materiais de fim aberto, que nem nunca pensou usar para desenhar ou pintar
  • imagine que ele gosta de correr – como poderia ser hoje uma corrida criativa? que espaço escolher? que horário? o que o poderia levar a ver outra perspetiva?

Enfim aceite usar um tempo, aceite não haver certos e errados, aceite que não sabe mais, aceite divertir-se e rasgar com o tradicional.

Na Raiz, o seu filho faz muitas destas experiências, procura opinar sobre o que faz, mais do que procurar aprovação do adulto, toma decisões e reflete sobre o que fez, como fez e o que sentiu. Ele fala a linguagem das emoções e vive com racionalidade e emoção as aprendizagens.

Boas descobertas
  Margarida Silveira Rodrigues
  Diretora